Jorge Hessen – Brasília-DF
O Centro Espírita precisa ser um local de esperanças na densa noite das angústias e dores humanas, por ser o ponto focal da mensagem do Consolador Prometido. Porém, é exatamente nas casas espíritas, onde o Movimento Espírita deve se consolidar, que acontecem as mais equivocadas práticas “doutrinárias”.
Um gravíssimo problema desse processo decorre daqueles que assumem responsabilidades de direção, sem os obrigatórios recursos morais, culturais e doutrinários. Confrades que introduzem nos núcleos espíritas práticas inoportunas do tipo: preces cantadas, paramentos especiais (terno e gravata, roupas brancas), debates de política partidária, jogos de azar (bingos, rifas, tômbolas), desfiles de moda etc. São irmãos que sedimentam a confusão doutrinária nos solos, impondo idéias absurdas como se fossem princípios espíritas e sempre aceitando “novidades” e “revelações” não comprovadas. Isso, sem citarmos a publicação de livros antidoutrinários, por meio dos quais se promove a exaltação da fantasia mediúnica.
O Espiritismo não comporta “terapêuticas” nas casas espíritas do tipo: piramideterapia, cristalterapia, cromoterapia, musicoterapia, hidroterapia, desobsessão por corrente magnética, apometria, choques anímicos, etc. Enxertá-las nas instituições espíritas como se prática espírita fossem, é atitude irresponsável de pessoas autoritárias.
Sabemos que a Doutrina Espírita é princípio máximo da liberdade de pensamento. Inexiste proibições no bojo dos conceitos doutrinários, por isso nos sentimos mais livres, até porque não devemos explicações de conduta ou comportamento, pois a consciência individual é nosso guia. Todavia, sabemos que as conseqüências de nossas atitudes inevitavelmente advirão, tanto no bom como no mal proceder. Porém, do fato de cada um cuidar da própria conduta, será que ninguém tem o direito de cobrar nada dos que insistem no erro na Casa Espírita? É redundante dizer que numa Instituição de orientação espírita devemos aprender a conviver na diversidade, na pluralidade, respeitando peculiaridades, diferenças e necessidades das mais diferentes áreas de trabalho, considerando principalmente as individualidades. Todavia, creio ser imperioso colocar a causa acima indomável pendor místico, do personalismo e do autoritarismo.
A ausência de comprometimento e fidelidade à Doutrina Espírita é visível neste momento crucial. Como disse acima a prática doutrinária vem sendo substituída por práticas exóticas e necessariamente malsãs, ocasião que sobressai muitos interesses escusos e pessoais, perturbando o dia-a-dia e a demanda do serviço da Casa Espírita.
Urge colocar a necessidade de estudo juntamente com análise e avaliação dos trabalhos executados em nome de Jesus e Kardec no Centro. A Terceira Revelação deve ser estudada incansavelmente, deve ser analisada e praticada em toda a sua extensão , em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social.
No trabalho em grupo o individualismo prejudica inequivocamente o trabalho de equipe e não se logra sucesso nas atividades em desenvolvimento. Destarte, é imprescindível que medidas sejam antecipadamente estabelecidas para que o personalismo exacerbado não prejudique o conjunto que deve pautar a cada dia pelo aprimoramento de todos e das atividades do Centro.
O Centro Espírita será o que dele fizermos. A propósito do tema mediunidade, importa esclarecer que o seu exercício não admite atitudes levianas, nem comporta a insensatez nas suas expressões. Exige, sim, um estudo contínuo dos seus mecanismos. Infelizmente o projeto socorrista dos médiuns – está sendo preterido pelo “vedetismo”, fruto da falta de conhecimento, da ignorância e, até, da irresponsabilidade de dirigentes e cúmplices desatentos. Não custa lembrar que a prática espírita sem a devida base moral será, inevitavelmente, uma incursão permanente no mundo do erro e, conseqüentemente, das sombras.
O Centro deve ser uma escola no sentido absoluto da palavra. Isto é, destinado a educar, formar e edificar almas, tendo por endereço pedagógico como educando todos os seus trabalhadores e freqüentadores. Por isso , o evangelizador não pode ser aquele que passa o conhecimento de maneira autômata e sem compromisso sério, que instrui caracterizando a Doutrina Espírita como uma mera informação.
O Centro Espírita não pode ser tomado como simples local onde se atendem Espíritos desencarnados, administra-se a caridade dativa, toma-se água fluidificada e aplicam-se passes. Tudo isso faz parte e é altamente relevante. Mas, todas essas atividades devem ser associadas dentro de uma programação educativa e com processos pedagógicos e didáticos adequados a cada tipo de ação. Desse modo os Centros Espíritas se elevam ao nível das agências clássicas do lar, do templo e da escola convencional, para alcançarem a extensão transcendental de verdadeiras academias de formação espiritual e não manicômio de iludidos.
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